Saudade do pai, do meu pai. Meu
pai nunca parou em casa e nem eu. Talvez, por isso, tantos desencontros.
Lembro-me que à noite, quando ele deitava no sofá, às vezes, brincava de me
jogar para o alto. Penso que chegava até o céu.
Meu pai tinha olhos vermelhos,
porque bebia, bebia as ruas de nossa cidade e chegava silencioso em casa. Homem bêbado,
tímido e bom. Homem de ombros largos e
inseguros.
Às vezes penso que meu pai nunca existiu e vou criando histórias
para ver se ele aparece dentro de mim. E me vejo pensando: como um homem
com tantas histórias consegue viver no silêncio?
(escrito por Natália Goulart em 18/07/2013)

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