quinta-feira, 28 de novembro de 2013

inventando um pai





Saudade do pai, do meu pai. Meu pai nunca parou em casa e nem eu. Talvez, por isso, tantos desencontros. Lembro-me que à noite, quando ele deitava no sofá, às vezes, brincava de me jogar para o alto. Penso que chegava até o céu. 

Meu pai tinha olhos vermelhos, porque bebia, bebia as ruas de nossa cidade e chegava silencioso em casa. Homem bêbado, tímido e bom. Homem de ombros largos e inseguros. 

Às vezes penso que meu pai nunca existiu e vou criando histórias para ver se ele aparece dentro de mim. E me vejo pensando: como um homem com tantas histórias consegue viver no silêncio?

(escrito por Natália Goulart em 18/07/2013)


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